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Biografias

Djavan: conheça a biografia de um dos maiores nomes da música brasileira

Por Camila Fernandes

24 de Junho de 2019, às 07:00


Quem nunca sofreu tentando tocar uma música dele que atire a primeira pedra! Djavan é conhecido por seu jeito único de cantar e de compor. Autor de músicas com letras poéticas e melodias complexas, ele afirma que fazer música é um trabalho duro, muito mais difícil do que parece.

Djavan Caetano Viana nasceu no dia 27 de janeiro de 1949, em Maceió, Alagoas. Ao longo de sua carreira musical já lançou mais de 20 álbuns e é dono de inúmeros sucessos, que mesmo depois de décadas continuam agradando pessoas de todas as idades.

Cantor Djavan
Créditos: Divulgação

Como compositor, já ganhou duas vezes o Grammy Latino de Melhor Canção em Língua Portuguesa, com as músicas Acelerou e Vidas Pra Contar. A técnica e o talento de Djavan são indiscutíveis, mas como será que ele chegou até aqui?

Preparamos uma biografia resumida com os principais marcos da carreira do cantor e relembramos seus maiores sucessos. Continue lendo e saiba mais sobre um dos maiores nomes da música brasileira!

Primeiros passos na música

A primeira música que Djavan ouviu não veio do rádio, nem de nenhum cantor profissional, mas da beira de um rio. Como assim? É que a mãe dele era lavadeira, e, antigamente, era bem comum que elas cantassem enquanto trabalhavam. A dona Virgínia era quem puxava o coro enquanto o filho ouvia atento. 🎶

Por volta dos 11 anos, Djavan começou a frequentar a casa de um amigo da escola e foi lá que ele conheceu a música clássica, ouviu artistas internacionais e diferentes ritmos brasileiros — tudo graças a um equipamento de som, que naquela época era raro.

Djavan aprendeu a tocar violão sozinho — e vale lembrar que naquela época não existia YouTube, Cifra Club, nem nada parecido. Tudo o que ele tinha eram as cifras que vinham em revistas.

Aos 18 anos, formou o grupo musical LSD (Luz, Som e Dimensão), que tocava em vários bailes e eventos de Maceió. Foi mais ou menos nessa época que ele começou a compor. Infelizmente, os gravadores de fita K7 ainda não tinham se popularizado no Brasil, por isso, a maioria dessas composições ficaram esquecidas.

Grupo musical LSD, de Djavan
Imagem rara de Djavan com o grupo LSD / Créditos: Divulgação

Mudança para o Rio de Janeiro

Aos 23 anos, já sabendo que Maceió era pequena demais para a carreira que ele queria construir, Djavan se mudou para o Rio de Janeiro. Durante algum tempo, ele se apresentou em boates famosas da cidade, como a Number One e a 706, até conhecer o produtor musical que o levou até a Globo.

Durante três anos, Djavan trabalhou gravando trilhas de novelas da emissora e aproveitava o tempo livre para compor. Olha só uma das músicas que ele gravou na época, composta por Dorival Caymmi e Jorge Amado para a novela Gabriela (1975):

Também em 1975, uma de suas composições rendeu o segundo lugar no Festival Abertura, competição musical realizada pela Globo. A música Fato Consumado chamou atenção do público e Djavan conseguiu seu primeiro contrato com uma gravadora.

Foi com a Som Livre que ele gravou seu álbum de estréia, A voz, o Violão, a Música de Djavan (1976), e logo de cara já lançou um dos maiores sucessos de toda a sua carreira, Flor de Lis, que ganhou até uma versão em inglês e levou o nome de Djavan para fora do país.

Regravações e a chegada definitiva do sucesso

Seu disco de estreia chamou muita atenção por ser algo diferente do que se fazia na época, com novas melodias, letras e a quebra de ritmo que é característica do cantor. Foi assim que ele saiu da Som Livre e conseguiu um investimento pesado de outra gravadora, a EMI Odeon, que contratou uma orquestra todinha para gravar o segundo álbum do artista, Djavan (1978).

Capa do álbum Djavan
Capa do álbum Djavan / Créditos: Divulgação

Depois disso, Djavan se tornou um nome reconhecido e suas músicas começaram a ser regravadas por vários cantores. Álibi, por exemplo, faz parte do álbum Djavan e ficou muito conhecida na voz de Maria Bethânia. O disco seguinte, Alumbramento (1980), consagrou o cantor definitivamente como um membro da MPB.

Outra regravação famosa é a versão que Caetano Veloso fez de Sina. Na música original, Djavan homenageia Caetano no verso como querer Caetanear o que há de bom. É claro que a homenagem foi devolvida, e Caetano gravou como querer Djavanear o que há de bom. Olha só os dois novinhos cantando a música juntos, em 1983:

Carreira internacional

Por causa da regravação de Flor de Lis em inglês, Djavan recebeu um convite da CBS, futura Sony Music, para gravar em Los Angeles com um dos principais produtores da música soul norte-americana.

Lá ele gravou os discos Luz (1983) e Lilás (1984), com vários de seus maiores sucessos, incluindo Sina, e fez sua primeira parceria com Stevie Wonder, na música Samurai. Daí em diante, Djavan gravou sempre versões de suas músicas e discos em inglês.

Depois do período nos Estados Unidos, ele só voltou a gravar no Brasil em 1986 e chegou com uma pegada diferente: mantendo sua originalidade, agora ele buscava mais influência das regionalidades brasileiras, nas tradições ciganas e africanas, tanto nas letras quanto nos ritmos. Soweto é uma das músicas marcantes dessa fase.

Oceano

Também é dessa fase a música Oceano, e nós precisamos agradecer à filha mais velha do cantor por isso. Djavan tem o hábito de começar a compor uma música e ir gravando em partes. Quando não gosta do resultado, ele abandona aquela gravação e começa a trabalhar em algo novo.

Flávia ainda era adolescente quando encontrou uma fita perdida com uma gravação do pai. Ela ouviu, gostou, e Djavan terminou Oceano a pedido da filha. Ele nem imaginava que uma música que havia sido descartada se tornaria um de seus maiores sucessos.

Fase independente

O disco Novena (1994)  foi totalmente composto, produzido e arranjado por Djavan com sua própria banda. Os trabalhos dessa fase, na década de 90, tem influências fortes do jazz, soul, blues e funk norte-americano, com estilo mais dançante e animado.

Capa do álbum Novena
Capa do álbum Novena / Créditos: Divulgação

Dez anos depois, em 2004, além de cantor e compositor, Djavan se tornou seu próprio empresário. Ele fundou a gravadora Luanda Records, onde fez todos seus álbuns futuros. De forma impressionante, o cantor consegue manter em seus trabalhos todas as influências que já foram citadas aqui, desde o blues até os ritmos africanos, sem se esquecer do bom e velho samba.

No disco Ária, de 2010, pela primeira vez Djavan se dedicou inteiramente a gravar canções de outros compositores. Só dois anos depois, em Rua Dos Amores, é que ele voltou com suas próprias composições. É desse álbum a música Vive, tema da novela Salve Jorge. Depois de mais de 40 anos, sua voz continua fazendo sucesso nas trilhas das novelas.

Em 2015, Djavan foi homenageado pelo Grammy Latino com o Prêmio à Excelência Musical, por toda a sua trajetória de mais de 40 anos de sucesso. No mesmo ano, sua música Vidas Pra Contar rendeu o terceiro Grammy ao artista.

Vesúvio

O trabalho mais recente de Djavan é o álbum Vesúvio, lançado em 2018. Mantendo a tradição, as treze músicas do disco foram compostas, arranjadas e produzidas por ele, dessa vez com um toque um pouco mais voltado para a música pop, mas sem perder a essência de seu estilo.

Capa do álbum Vesúvio
Capa do álbum Vesúvio / Créditos: Divulgação

Em Vesúvio o cantor une o romance, a temática da natureza e as críticas sociais que já acompanham seu trabalho há algum tempo. Aos 70 anos de idade, Djavan mantém intactas a energia, a qualidade vocal e a poesia de suas músicas.

A turnê de lançamento do disco começou em março de 2019 e tem datas confirmadas até novembro. Djavan já passou por várias cidades brasileiras e pelas capitais da Argentina e do Chile. Ele continua por aqui até outubro, quando segue com a turnê para a Europa.

E aí, gostou de saber um pouco mais sobre Djavan? Assim como ele, a Música Popular Brasileira é cheia de cantores incríveis e músicas que são verdadeiros hinos. Confere aí na nossa playlist com os melhores hits da MPB!

Playlist Top Hits MPB

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