Eu Ajoelho e Você Reza

Voz Sem Medo

Vida do crime vida sem volta
Muitos já morreram, o inferno não tem portas
Meu mano foi, eu sei, e eu vou também
Mas antes disso, vingança, bandeira branca, amém
Na mente vem lembranças de tudo que passamos juntos
Primeiro ferro, primeiro assalto
Tudo deu certo, confesso
Até me deu um gelo, um frio na barriga
Sei la, sensação esquisita

Gelada, suava
Foi tudo muito rápido, quando eu vi, já era
Joga a carteira e os doca fora
A grana a gente racha, rapidinho da o tempo
Vamos na boca buscar um preto
Passar na feira, comprar uma peita
Tomar um caldo e aquela breja
Mais tarde o fervo é certo la no meu barraco
Avisa os cara e as dona, pra quem não sabe
É la na 5, duas casas depois da esquina
É la pertin da vila, de frente pro mato
Rap no volume máximo, a vizinhança estranha

O cheiro é forte, e vai longe
Quem mistura não segura a onda
Cerveja, maconha, muita lombra
Tem cara que se acha o super homem, tem dona
Fazendo até strip tease, é sempre assim
Sempre tem uma, querendo aparece, morro de rir!
Dizem que não existe mulher feia, você que bebeu pouco
Depois das duas está tudo mundo muito louco
Quem compra e quem passa, quem rouba e quem mata
O sequestrador e o refém
Eu não sou mais eu, ninguém não é mais ninguém
Cada um encorpora um personagem
É por isso que as drogas é uma viagem

Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos

Eu só queria um traçado, presidente, com cortesano
Engraçado, todo dia a mesma coisa
A cena se repete, aí zé
Tira esse som e põe um rap, fim de tarde tanto faz
Segunda, terça, quarta
Os moleque lá na quadra
Batendo bola, os moleque vindo da escola
Calça jeans, camisa cinza, caderno na mão
Não, nem rola!
Prefiro uma quadrada, um boné aba reta, uma pulseira
De prata
Os home implica kit peba
Os mano defende, favela!
Foda-se, é o meu estilo
A viatura passa, bica, quase quebra o pescoço
Dou uma olhada, viro o rosto, finjo que não é comigo
Bope! Os cara bate forte
Atirador de elite cheira a morte
O que é barra pesada, notícias da madrugada
Assaltaram o mercado, a padaria, a farmácia, a lojinha
Ao lado

Mortes de adolescentes, briga entre gangues, acerto de conta
O resultado: O caje tá lotado, o cemitério tá lotado
Neguin não vem aqui em cima e eu não vou la em baixo
Mas o futuro a Deus pertence
Nordestino às vezes apronta
Até um dia, a gente se tromba
Filho de nordestino
Não deixa passar batido
Estilo cangaceiro, em pleno centro-oeste
Se vai na testa (pah), a morte é certa
Se vai na espinha, cadeira de rodas pra toda vida
Mas tem os irmãos que fogem disso
E se entregam a Jesus Cristo
Não bebe, não fuma e passa a noite na igreja
Nas minhas palavras tenho dom de mágoa, inveja
Não se é coisa do diabo, ou se é saudade da liberdade

Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos

O que é fato é certo, o que é certo eu não nego
Quando a fita é contigo
Quando quem morre é seu amigo
Não importa se é herói ou bandido
Aí eu quero ver
Sangue de barata ferver
Revolta, medo, coragem
Uma mistura de sentimento
Pronto, bebe o veneno
Corrente que nunca quebra
A maldição da favela
Noite de Lua, mês de julho, venta, faz frio
A natureza percebe a tristeza
Capela vazia, parede sem tinta, banco de madeira
De longe escuto a choradeira
Aqui fora, meia duzia de pessoas
Lá dentro, só sua irmã e sua mãe
Olho sua fisionomia, parece estar com raiva
Trairagem é foda, atiraram pelas costas
Ousadia? Vieram aqui em cima
Mas pode ter certeza
Que quem fez isso vai pagar caro, muito caro
Mataram meu outro lado, o irmão que eu não tive
Mas faço uma promessa, você sempre vai estar comigo
Até o fim da minha vida
Dou valor na nossa parceria
Um cai pra dentro, outro vigia
A noite é Lua, o Sol é dia
Cara e coroa, uma moeda
Eu ajoelho e você reza!
O santo é Cosmo e Damião
A palavra união
Quem deve paga, qual é o preço?
Você esta morto e eu estou preso

Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos

Composição: Djara Djalma Do Nascimento
Enviada por José. Revisões por 3 pessoas.
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