Analisando letras

Soneto de Fidelidade: interpretação do poema de Vinicius de Moraes

Por Rafaela Damasceno

5 de Março de 2021, às 19:00


Um dos poemas brasileiros mais famosos é o Soneto de Fidelidade, composto por Vinicius de Moraes. O poeta é, até hoje, considerado um dos mais notáveis da nossa literatura e essa é uma de suas obras mais consagradas.

Vinicius de Moraes
Créditos: Divulgação

No texto, o escritor abordou, de forma extremamente sensível, temáticas relacionadas ao amor e à fidelidade. É exatamente por isso que vários casais apaixonados se declaram, um para o outro, com os seus versos.

Mas será que todo mundo compreende o que Vinicius de Moraes realmente quis dizer no Soneto de Fidelidade? Pode ficar tranquilo que a gente tem a resposta! Confira, a seguir, a nossa interpretação completa do poema!

Soneto de Fidelidade: interpretação

Para fazer a interpretação de um texto literário, é muito importante analisarmos não só o significado das palavras e as mensagens transmitidas, mas também a sua estrutura.

Continue lendo a seguir para conferir a nossa análise desses dois aspectos do Soneto de Fidelidade.

A forma do poema

Como o próprio título indica, estamos diante de um soneto. Você deve se lembrar desse nome, mesmo que não tenha prestado muita atenção nas aulas de literatura da escola.

Para quem não se lembra, o soneto é um poema formado por 14 versos, divididos em 2 quartetos (estrofes de 4 versos) e 2 tercetos (estrofes de 3 versos). 

Além disso, todos os seus versos são decassílabos, ou seja, compostos de 12 sílabas poéticas. Nos quartetos, as rimas são interpoladas, o que significa que o primeiro verso rima com o último e o segundo, com o terceiro. Já nos tercetos, não há essa organização rítmica e as rimas são mistas.

A mensagem do Soneto de Fidelidade

Agora que você compreendeu a forma do Soneto de Fidelidade, chegou a hora de desvendar o que Vinicius de Moraes quis dizer no texto. Vamos lá?

De tudo, ao meu amor serei atento antes
E com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Nesta primeira estrofe, temos uma exaltação do amor como uma emoção muito nobre e especial que deve ser cultivada a todo instante. Assim, ele não vai diminuir, pelo contrário, vai aumentar constantemente. 

Ele também menciona o zelo, que é o modo como esse sentimento se manifesta, além da sua intensidade, pelo termo tanto, e do seu tempo, indicado pela palavra sempre

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

Neste trecho, o ato de amar continua a ser valorizado como algo que traz significado para a vida do eu lírico.

Mas, apesar de lhe fazer sentir muita alegria e felicidade, o amor também é motivo para que ele derrame o seu pranto. Assim, ele está presente tanto no contentamento, quanto no pesar. 

No quarteto analisado, é muito interessante observar também as suas rimas. Veja: momento rima com contentamento, no primeiro e no último verso, respectivamente, e canto com pranto, no segundo e no terceiro. 

São as rimas interpoladas, que comentamos acima. Essa estratégia poética é que traz ritmo ao poema e faz com que a leitura fique ainda mais prazerosa. 

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Agora, o poeta aborda o fim do amor, que pode vir com a morte da pessoa amada ou com o término do relacionamento. Em qualquer um desses casos, o resultado é a solidão, destino inevitável de quem ama. 

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

Ao final do Soneto de Fidelidade, Vinicius de Moraes cria uma metáfora com o amor e o compara a uma chama. Esse elemento da natureza não dura para sempre, tem princípio e fim. Assim como o sentimento de amar, que deve ser aproveitado ao máximo pelos amantes.

É exatamente isso que trata o verso que finaliza o poema. Como algo que é mortal pode durar infinitamente? Só mesmo com a entrega completa ao amor, enquanto a chama ainda estiver viva dentro da gente. ❤️

Curiosidades sobre o poema

O Soneto de Fidelidade foi publicado inicialmente em 1939, no Estoril, uma cidade de Portugal, no livro Poemas, Sonetos e Baladas (também chamado de O Encontro do Cotidiano).

Capa do livro Poemas, Sonetos e Baladas
Capa do livro Poemas, Sonetos e Baladas / Créditos: Divulgação

Anos mais tarde, em 1946, é que a obra chegou ao Brasil. A publicação conta com 47 poemas e algumas ilustrações de Carlos Leão, amigo de Vinicius de Moraes. O mais interessante é que o Soneto de Fidelidade é o primeiro do livro e o Soneto de Separação, o último. 

Mas o texto só ficou conhecido mesmo depois que passou a ser declamado junto com a música Eu Sei Que Vou Te Amar, em 1972. A canção, que está entre as melhores de Tom Jobim, é considerada um marco na música brasileira. Confira uma das suas primeiras gravações: 

E ele não foi o único cantor a fazer essa interpretação. Roberto Carlos e Maria Bethânia também foram outros artistas que incluíram o texto em suas apresentações. 

Mais versos de Vinicius de Moraes

Se você gostou da nossa interpretação do Soneto de Fidelidade, com certeza é fã de outros poemas do autor. Então, que tal se inspirar agora mesmo com 43 frases de Vinicius de Moraes

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