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História da música

Mulheres no Sertanejo: Feminejo

Por Nathalia Terayama

26 de Março de 2019, às 12:00


Que as mulheres estão presentes na música, não é novidade para ninguém. No entanto, no sertanejo, o reconhecimento efetivo de forma tão avassaladora e constante só começou há relativamente pouco tempo. O chamado feminejo, graças aos deuses, chegou para ficar!

Mas o que é o feminejo? É o que chamamos de sertanejo feito por mulheres, com temas que vão desde empoderamento até sofrência, superação e companheirismo. Esse tipo de música está tomando conta das plataformas de streaming e dando mais voz a elas.

Porém, antes do Infiel de Marília Mendonça, dos 10% de Maiara e Maraísa, dos 50  Reais de Naiara Azevedo e dos 126 Cabides de Simone e Simaria, representantes do sertanejo universitário, houve outras mulheres no sertanejo “raiz”, como Inhana — da dupla Cascatinha e Inhana —, Roberta Miranda, As Marcianas e tantas outras.

Naiara Azevedo, uma das cantoras representantes do feminejo
Naiara Azevedo, uma das cantoras representantes do feminejo / Créditos: Divulgação

A importância do feminejo

Atualmente, uma palavra tem sido muito mencionada nas discussões, sejam elas online ou pessoalmente, e ela tem ajudado a mudar muitas coisas em vários setores da sociedade. Essa palavra é representatividade. E ela tem feito mudanças nos anúncios publicitários, no cinema, na indústria da moda e até na música.

Mas como a representatividade se encaixa no feminejo?

A indústria musical, no geral, é dominada por homens, e o sertanejo não foge à regra. Ou, pelo menos, não fugia. Até pouco tempo, as músicas sertanejas eram, na maioria das vezes, compostas e interpretadas por homens. Se uma mulher quisesse se destacar nesse estilo, tinha que enfrentar as barreiras do machismo.

No entanto, de uns tempos pra cá, isso mudou. As diversas vozes de mulheres lutando por igualdade em todos os setores gerou um movimento e uma necessidade de sermos representadas também no sertanejo. E pronto! Agora só dá elas!

Saímos do papel de coadjuvantes nas letras interpretadas, em sua maioria, por homens e assumimos o papel principal. Saímos da condição da mulher culpada de todos os sofrimentos dos homens para a que sofre, se recupera, que é independente e possui desejos. Por isso o sucesso do feminejo é imenso. Finalmente somos, de fato, representadas.

A seguir, você confere um pouco da história de algumas representantes do feminejo de antes, agora e sempre.

Inhana

Ana Eufrosina da Silva nasceu no interior de São Paulo e ficou conhecida como Inhana. Começou a cantar desde cedo e foi solista em um grupo formado por seus irmãos, com o qual se apresentava em algumas cidades. Conheceu Cascatinha — que também era músico e tinha uma dupla sertaneja que se apresentava em circos, chamada Cascatinha e Chopp — e se casaram.

Os três então formaram o Trio Esmeralda que, por fim, transformou-se na dupla Cascatinha e Inhana. A dupla ficou conhecida por interpretar canções como Colcha de Retalhos e Flor do Cafezal, entre outras.

Por que ouvir?

Inhana é, sem dúvida, uma representante da música sertaneja brasileira, aquele sertanejo raiz, sabe? Aquela raiz da sofrência de hoje, que a gente costuma escutar no interior, nas rodas de viola…

Além dessa nostalgia que o sertanejo raiz nos remete, é preciso apreciar e valorizar também a nossa cultura do interior, que muitas vezes é deixada de lado.

Então, se joga nessa maravilha da nossa cultura e ouça mais músicas da dupla.

Roberta Miranda

Maria Albuquerque Miranda, mais conhecida como Roberta Miranda, é uma nordestina maravilhosa, cantora, compositora, multi-instrumentista, pintora e escultora. Um mulherão daqueles! Consagrada pelo público como a Rainha do Sertanejo, é a primeira cantora da música popular brasileira a vender um milhão e meio de discos em seu álbum de estreia, e seu recorde continua inigualável no Brasil.

Roberta Miranda Feminejo
Créditos: Divulgação

Vinda de uma família humilde, é a caçula depois de três irmãos mais velhos. Ao terminar a educação básica, mesmo contra a vontade da família, começou a compor. Após mais de uma década conseguiu alcançar a fama e o coração do público.

Por que ouvir?

“Ah nem! Roberta Miranda, sério?” Sim, sério! Muito sério. Além de ser dona de um timbre invejável e de músicas memoráveis regravadas inúmeras vezes por cantores de vários estilos, ela conseguiu reunir as divas do feminejo em seu último DVD. De verdade, escute essa versão e seja feliz.

Outro motivo para ouvir Roberta Miranda é porque ela dá voz a letras empoderadas e extremamente atuais. Por isso, amigx, dê uma chance!

Adicione à sua playlist mais músicas da Rainha do Sertanejo.

Marília Mendonça

Seguindo na realeza do feminejo, vem a Rainha da Sofrência. Marília Dias Mendonça, ou simplesmente Marília Mendonça, é uma goiana de 23 anos que começou a compor aos 12. Antes de embarcar na carreira de cantora, ela compôs canções para grandes nomes do sertanejo universitário como Cristiano Araújo e Henrique e Juliano.

Marília Mendonça, a Rainha da Sofrência
Créditos: Divulgação

Em 2015, aos 20 anos, ela começou sua carreira como cantora e fez participação no DVD de Henrique e Juliano, e em seguida gravou seu álbum, que foi lançado em 2016 e caiu nas graças do público imediatamente.

Por que ouvir?

Marilinha é a rainha da sofrência, das músicas que fazem a gente sofrer sem ter motivo e chorar sem ter vontade. Esse sentimento é tão forte que há quem diga que “se até ela chora com as próprias músicas, quem sou eu para não chorar?”.

Então, se você gosta de chorar largado, aposte em músicas como:

Mas calma! Não é só de sofrência que vive essa mulher talentosa! Se você quer uma vibe menos triste e mais empoderadora, confira:

Independentemente da vibe, se é sofrência ou superação, vale a pena escutar. Escute mais músicas da Marília Mendonça e adicione à sua playlist.

Por fim…

Claro que apresentei aqui apenas um recorte do que essa mulherada é capaz de produzir e fazer. Além disso, existem atualmente inúmeras divas do feminejo atual, como:

O importante é conhecer cada uma delas, suas histórias e os contextos em que cada uma delas cresceu.

Se o sertanejo não é bem a sua praia, tudo bem! Todos temos o direito de ouvir o que quisermos, mas temos o dever de, independente de qualquer coisa, RESPEITAR. O respeito é fundamental em qualquer camada da nossa sociedade. Tolerância sempre, ok?

E aí? Gostou da seleção de músicas? Então vem ouvir mais do feminejo nesta playlist incrível!

Playlist Feminejo com Marília Mendonça, Paula Mattos e May e Karen.