Retrós e Linhas

Alaíde Costa

Quem chuleia a verdade
Alinhava sem atar
Ai, coitado, errado nasceu
Pois se engana quem mente ao seu eu!

Quem falseia e se nega
Se tropeça ao negar
Se encharca no lodo, se ateia mais fogo
Quem mente carrega, às cegas, penar

Minha mão no fogo por você não vou botar
A mentira é um remendo e a verdade vai ficar
Meu lado negro pra você é um açoite
Quanto mais eu me ilumino pra você
Eu viro noite

Quem descose a realidade
Falsidade quer vender
Ai, que pena de quem borda o mal
Se aconselha ao menos, um dedal

Qual seda falsa, a mentira não convence
Pois mais dia, menos dia, a verdade chega e vence
Bom cerzideiro jamais coze sem amor
E eu não uso sianinha que não tenha algum valor

Ai que pena de quem borda o mal
Se aconselha, ao menos, dedal

Retrós e linhas, eu respondo a minha dor
O tecido era bem frágil, se puiu e se rasgou
E o amor? É o amor do próprio amor
É o amor que pinta e borda e recoze o próprio amor!
E o amor? É o amor do próprio amor
É o amor que pinta e borda e recoze o próprio amor!
E o amor?

Composição: Hermínio Bello de Carvalho / Martinho da Vila
Enviada por Paulo.
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